Fernando lia um livro quando viu numa das páginas um cartãozinho com um nome escrito: Larissa. Logo, ele se lembrou:
Agarrei-me a Larissa e nos perdemos num longo beijo. Segurava-a pela cintura e a outra mão em sua nuca. Seu corpo estava bem colado ao meu, assim como nossos lábios molhados. Então ela me afastou, mas apanhei-a de novo antes que saísse do quarto. De um novo impulso, joguei-a sobre a cama, para logo em seguida precipitar-me em cima dela.
O calor evidente nos fazia desfazer das roupas, logo estávamos apenas com as vestimentas de baixo nos revestindo de paixão. Sentia uma ereção intensa. Penetrei-a com um prazer enorme.
Ofegava com delícias ao contato quente e macio. Apoderava-se em nós uma boa sensação à sugestão da lascívia.
Apoiado na cama o seu dorso macio, eu cobria com meu peito os seus seios fartos. Louca de prazer, ela foi sentindo o meu entusiasmo ativo de desejo e emoção. Sua face ruborizava, sua respiração acelerava, soltava fortes gemidos e gozava. Seu corpo todo tremia. A mulher amava o ardor e eu o seu corpo. Fui e vim num balanço regular e antes de me ver dentro dela, eu a virei de costas e com uma atitude de posse, lentamente fui enfiando o meu pau em seu ânus.
Nos lábios dela vi depois o reflexo da alma satisfeita por um sorriso que traduzia a delícia íntima das sensações sexuais. Isso me alegrava muito.
A felicidade serena depois pousava em mim.
Porém, passados alguns dias, vi-me também na ponta de um drama. E depois na linha de um alívio estranhamente inquietante.
Para avaliar a oportunidade deste alívio, é preciso saber que eu tive com um amigo uma conversa, que no fim de alguns instantes, compreendi o que ele sentia e depois então, procedia automaticamente como um amigo para ele, e um revoltado para comigo.
Foi num dia de verão que cheguei a casa dele de surpresa e o encontrei bastante agitado.
Perguntei o que era e o mesmo me respondeu devagar como se as palavras lhe saíssem da boca contra sua vontade. Ele havia recebido um telegrama anônimo dizendo da aventura de sua mulher com outro rapaz. Dizia ainda que fosse de uma mulher, uma mulher que gostava muito dele.
Eu logo fiquei desconfiado. Ele não queria acreditar. Eu dei força para que assim fosse; que não acreditasse. Porém, a realidade das coisas ia me dar alguma surpresa ainda mais incrível. Que se daria dali a algumas horas. Inquieto, nervoso, falava mais que ouvia com sua voz ameaçadora e raivosa, não enxergava que eu também havia ficado apreensivo e cuidei que ia lhe falar de mim e ela, mas me reprimi. O momento estava muito turbulento. Instantes depois ele decidiu que ia sair. E saiu.
Eu tomei outro rumo, querendo advertir Larissa do que lhe esperava, porém eu não a encontrava. Vagava sem saber o que pensar ou o que fazer.
Depois considerei que tudo não haveria de acabar numa tragédia. Conhecia o rapaz e por mais bravo que parecesse, gostava muito dela, talvez a julgasse com palavras horrendas, por ter sido desiludido. Humilhasse-a tal como se sentia e a deixasse. Fizesse com que ela deixasse de existir para ele e não tornaria a vê-la nunca mais. Igualmente a mim.
Travava, já em casa, uma luta moral, preocupadamente. Sabia que era incontestavelmente tarde para fugir. Gostava tanto dela que enfrentaria meu amigo. De repente decidi saí. Durante os primeiros minutos não pensei em nada; fui andando, andando, passando rua após rua até parar numa Praça arborizada no centro da cidade.
O dia estava escurecendo e a essa altura já era sabido de meu amigo os acometimentos de nossa aventura, assim eu pensei. Esperava que o desagradável momento, o momento de entregar-se às emoções inconvenientes que estavam por vir.
Estava silencioso, inquieto e nervoso. Oprimia-me uma espécie de remorso, sofrimento... Fiquei na rua muitas horas. Cheguei a casa tarde da noite e dormi mal. A consciência perturbava meu sono.
No dia seguinte me levantei com um ar sumamente contrariado. A verdade é que o coração ia num sobressalto de instante a instante. O fato de não saber o que se passara me deixava menos sossegado. Mas eis que seria tudo neste dia, fosse o que fosse. Veio-me uma descoberta, quando mais tarde ele me encontrou em casa e contou da traição que lhe causara a mulher, qual felizmente ou infelizmente, nem ali e nem em outro instante, divulguei meus preconceitos morais, calei-me. Ela foi flagrada com outro moço mais novo que nós dois, que me consternou profundamente.
Para fugir a tão lamentáveis memórias, amassou o cartãozinho e se recolheu à leitura do volume.
do livro
"pequenos delitos"